Entrevistas

GQ Thailand – Maio de 2018

BamBam – Tenho que ser verdadeiro

GQ: Sem dúvidas, houve um preço pelo qual você teve que pagar para debutar como um membro do GOT7. O preço da fama, que inclui a não privacidade, leis rígidas para seguir, e muitas pressões da indústria. Você acha que vale a pena?

BB: Acho que vale a pena. Mesmo meio que tendo pena de mim mesmo por não ter tido tempo livre para brincar na infância, me sinto abençoado, já que agora que sou capaz de receber tantas oportunidades para aprender tantas coisas que muitas pessoas são incapazes de aprender, como as aulas de coreano, dança e vocal que a JYPE forneceu. Se você me perguntasse se sinto falta da minha infância, eu diria que sinto falta da liberdade que os adolescentes têm, mas acredito que tudo isso vale a pena, pois tudo o que aprendi vai ficar comigo pelo resto da minha vida.

 

GQ: Quando você diz “pelo resto da sua vida”, sobre quais aprendizados você está falando?

BB: Imagine que um dia vou estar muito velho para dançar ou cantar no palco. Eu ainda assim serei capaz de compor música para outros cantores, ou posso ser um produtor, ou editor e diretor de MVs para outros. Esses aprendizados nunca irão sumir. A JYPE pode me ensinar como dançar, cantar e também a falar a língua coreana. Mas se você quiser ter mais conhecimentos como um hobby, você mesmo precisa perseverar. Por exemplo, a música que compõe a edição de vídeo que acabei de começar recentemente… Eu também me educo. A experiência de vida me ajuda muito, eu diria. Comparando com amigos da mesma idade, acho que lido com muito estresse e procuro por algo mais rápido e mais tranquilo. Não estou dizendo que eles saibam menos do que eu, mas vivi muitas coisas sobre trabalho e negócios mais cedo do que o normal. Eu perdi parte da minha infância para trabalhar, e isso me fez agir de um jeito mais velho que a minha idade. No entanto, penso que isso tem uma influência positiva na minha vida. Todos esses aprendizados que ganhei, mais a experiência de vida, ninguém poderia me ensinar; precisei aprender sozinho.

 

GQ: O que te inspirou a começar editar vídeos? Você quer se tornar um YouTuber?

BB: Lembro-me de trocar de celular e ficar olhando as fotos e vídeos antigos que tirei/filmei. Senti que os vídeos me trouxeram mais memórias do que fotos normais. Eu gravo vídeos para mostrar aos outros como vejo o mundo e como me sinto sobre um lugar específico através da minha perspectiva. Quando eu for mais velho, poderei assistir novamente aos vídeos que gravei e ganhar de novo a sensação daquele tempo. O vídeo que editei recentemente tem todo uma história. Não como história em série de drama, mas uma história que eu gostaria de contar. O vídeo editado dá uma sensação de tipo “esse é o meu hobby”, e, por isso, eu gostaria de fazer com o meu estilo, e quero que as pessoas reconheçam desse jeito. Digo, eu prefiro editar do meu jeito sem precisar agradar aos outros do que editar no estilo que elas prefiram. Eu vou fazer do meu jeito. Se as pessoas gostam e reconhecem isso, tudo bem. Se não reconhecem, ainda sim tudo bem.

 

GQ: De que forma as regras rígidas da JYPE formaram e moldaram você?

BB: Primeiro e mais importante:  sempre ser pontual e ter responsabilidade própria. Especialmente hoje em dia, que me mudei para ficar sozinho. Eles me deixam fazer o que eu quiser, e apenas me lembram que sou maduro o suficiente para assumir minha própria responsabilidade. Eles me ensinaram a conhecer o meu limite para aprender as coisas da vida com base nas experiências. E esse é o primeiro ano em que moro sozinho.

 

GQ: E sobre a vida durante os primeiros anos de debut como artista da JYPE?

BB: Todos nós ficávamos juntos no dormitório desde o tempo de trainee até o debut. Eu só me mudei faz 8 meses. É obrigatório morar juntos no dormitório durante os primeiros 3 anos de debut. A empresa proibiu o uso do celular no primeiro ano, pois eles queriam que ficássemos focados no trabalho. O segundo ano foi melhor, já que eles devolveram o celular. Mas ainda havia o toque de recolher para chegar no dormitório antes das 22h e no terceiro ano, à meia-noite. Pudemos nos mudar no 4º ano, mas também precisamos cuidar de nós mesmos.

 

GQ: Parece muito com um colégio interno?

BB: Não é tão ruim assim, eu diria. Tipo, nós temos muita diversão, mas precisamos estar sob as regras da empresa.

 

GQ: Você sentiu medo de não poder debutar?

BB: Sim, senti. Realmente tive medo, de fato. Mas as avaliações das performances mensais eram boas todo mês. Então, acredito que mesmo se eu não pudesse debutar como um artista da JYPE, eu debutaria em outra empresa (risos). Você deve acreditar em si, que você pode fazer aquilo. Por que você não acreditaria em si mesmo? Quando você pratica algum esporte, você espera pela vitória. Ninguém deseja perder.

 

GQ: Quando você era jovem e comum como uma pedra simples, como você se apresentou e fez as pessoas acreditarem que você era a verdadeira pedra preciosa que deveria ser escolhida para polir?

BB: Continue praticando e não perca o foco. Ao mesmo tempo, você não pode se pressionar muito, mas aproveite. É meu estilo. Por exemplo, se você é um trainee, mas canta e dança miseravelmente, eu acho que você pode não se encaixar como um cantor e deve apenas parar então. Mas se você fizer isso com alegria, ficará feliz . Se você me perguntar se eu senti pressão quando eu era um trainee ou não, eu definitivamente direi que sim. Há pressão sobre o debut e seu futuro, pois ninguém sabe quando ou mesmo se será capaz de debutar ou não. Mas eu gostava de dançar todos os dias, cantar e praticar com todos os amigos, e um dia… boom! Eu tive a chance de debutar. Se você fizer isso com amor, seu resultado será naturalmente bom. Melhor do que quando você é forçado a fazer, eu acho.

 

GQ: Suas regras são muito rígidas? Considerando que é uma pessoa tailandesa, onde a cultura de nosso país é mais tranquila e flexível.

BB: Sinceramente falando, estou morando na Coréia por tempo suficiente para que eu não sinta que eu more em um país estrangeiro. Eu senti isso no começo quando me mudei para a Coréia, mas depois, nós (GOT7) crescemos e também recebemos muitos feedbacks positivos dos fãs. Então, o JYP nos dá mais liberdade em troca, já que há tantas regras rígidas que precisamos seguir durante os 7-8 anos de trainees e depois do debut. No entanto, não é como se eu pudesse ir a lugares sozinhos, porque muitas  pessoas nos reconhecem hoje em dia, mas eu estou bem com isso, pois faz parte do trabalho. Eu sou grato pela empresa por coisas assim, porque pode não haver mais pessoas nos reconhecendo se formos em decadência, um dia.

 

GQ: Então você pensa sobre o seu futuro também?

BB: É normal para um cantor. Ainda estamos no período de pico, já que só debutamos há 4-5 anos. Nosso nome ainda é do interesse da imprensa. Mas depois de 10 ou 15 anos, mesmo querendo que os fãs ou a imprensa nos dêem alguma atenção, será difícil que isso realmente aconteça. Eu conheço o ciclo e me preparo para isso. Por isso, gostaria de aproveitar os momentos de alegria o tanto que eu puder. Agradecer a todos os fãs também.

 

GQ: Você não vai se decepcionar quando esse momento realmente chegar?

BB: Não acho que vou me decepcionar. Seria mais tipo “Oh… chegou a hora? Que pena que não temos mais tempo”. Mas, pessoalmente, não foco nisso ainda. Estou mais preocupado com o que estamos fazendo, e em continuar com isso o máximo que pudermos.

 

GQ: Com esse pensamento, isso não se tornou sua motivação para ser duro consigo mesmo?

BB: Verdade! Eu sempre vou ao estúdio para compor músicas todas as vezes que tenho tempo livre (mas isso raramente acontece nos dias de hoje, hehe). Não basta mais para o artista cantar e dançar uma música composta por outras pessoas. Você precisa escrever e compor sua própria música. Eu acho que é essencial, e você vai entender melhor o verdadeiro sentimento da música quando você mesmo escreve. Além disso, você não precisa esperar que os outros o incentivem/apoiem, você precisa se incentivar, pois é preciso trabalhar ainda mais duro.

 

GQ: Se compararmos suas ambições ao indicador de milhagem de um carro esportivo. Você está correndo na sua velocidade máxima agora?

BB: Depende. Se o trabalho que recebi não for meu estilo, eu estarei na velocidade normal ou talvez um pouco mais rápido que o normal. Mas quando chegam aqueles trabalhos com alta expectativa, vou além da milhagem ou até mais rápido que o limite de velocidade (risos). Na verdade, também tenho que considerar minha saúde durante esse período. Se eu estiver saudável, darei tudo de mim. Por outro lado, se eu não estiver em boa forma, mesmo que eu queira ir além da velocidade, não poderia fazer, já que o meu corpo me impediria.

 

GQ: Todos os adolescentes têm aquele período rebelde, como você administrou essa “revolta” já que você é um ídolo, membro do Got7?

BB: Eu ainda vivo minha vida como adolescente. Ainda me encontro com meus amigos depois dos compromissos e também tenho alguns amigos idols que converso nos camarins e nos bastidores durante os eventos. A única desvantagem é que eu não posso sair durante esses dias especiais, como na véspera de Ano Novo, até a contagem regressiva, porque preciso trabalhar. De qualquer forma, não sinto muita pressão para ser rebelde. Ter 2 dias por mês para sair com os amigos é o suficiente para mim.

 

GQ: Parece que você sabe como se equilibrar muito bem

BB: Eu componho música durante meu tempo livre. Mas eu não gasto todo o meu tempo livre fazendo isso. Eu ainda preciso relaxar com meus membros e também com amigos de outros grupos (risos). Aprendi a administrar meu tempo.

 

GQ: Depois de falar com você, senti que você é o Padawan, que acaba de ser promovido a Jedi em Star Wars.

BB: Sério? Eu não assisti aos filmes (risos). Acho que Star Wars tem sequências, certo? Por que você pensaria em mim desse jeito?

 

GQ: Sentimos que você tem mais entendimento da vida do que muitas pessoas da sua idade.

BB: Eu não tinha ideia (risos). Eu sou uma pessoa muito tranquila. Eu ainda sou uma pessoa tailandesa, mesmo com todos os meus amigos sendo estrangeiros. Aprendi a deixar as coisas acontecerem. Se coisas ruins acontecem, eu aprendo com isso e então não farei aquilo de novo. Mas não levo as coisas tão a sério, pois tudo passa e ninguém pode voltar no tempo e mudar o que aconteceu. Se eu falhar em fazer algo, posso me sentir decepcionado por um momento, mas quando um dia eu olhar para trás, vou me lembrar de não cometer o mesmo erro.

 

GQ: Se você pensar no GOT7 como um dos jogos on-line em que cada membro tem uma função diferente, cada um precisa ajudar a entrar na masmorra. O que você é no grupo entre os personagens? Defensor, mago, assassino ou o mais forte?

BB: Eu acho que deveria ser o mais forte. Quando danço, as pessoas continuam me dizendo que vou quebrar meus ossos (risos). Eu vou correr e lutar mesmo quando não sei se estou na direção certa ou não. Eu não quero sentir “Por que eu não fiz isso?…”. Porém, também acho que às vezes eu deveria ser um assassino, pois vou levar um tempo para analisar a situação e imaginar o que vou fazer, e se eu achar que é um beco sem saída, então vou sair e não lutar. Mas se houver uma chance, correrei direto para lutar. Eu não sou esse tipo de pessoa que quer sentar e comandar. Eu gosto de lutar sozinho. É como quando você quer fazer alguma coisa; faça com o seu próprio nome. E é preciso fazer tudo de uma vez.

 

GQ: Então quem é a pessoa que sempre apóia e encoraja os membros do Got7?

BB: Jinyoung-Hyung. Ele é aquela pessoa que sempre fica na nossa cola. Um irmão carinhoso, eu diria. Outro é o Yugyeom. Ele é da mesma idade que eu. Suponha que tenhamos um desentendimento com a empresa sobre algo. Precisamos conversar com os staffs para mudar o processo de trabalho. O Yugyeom não é bom em falar, mas ele vai ficar perto e apoiar quando um dos membros levantar a questão.

 

GQ: Já que você debutou e lançou tantos trabalhos populares, você ainda sente a necessidade de se provar para os outros?

BB: Eu ainda preciso continuar lutando comigo mesmo. Muitas pessoas me reconhecem como o Bambam do GOT7, mas há muitos lados que ainda não tive chance de mostrar. Se eu mostrar a eles os meus lados, eles me julgarão? Eles aceitariam o meu  lado “escuro”? Assim como a música GOT7 produz; todos podem ouvir e entender o significado, mas e se eu produzir alguma música underground*? As pessoas vão dar uma chance para ouvir e tentar entender? As pessoas podem não entender o estilo que eu quero apresentar, então sim, acho que ainda tenho muito a mostrar e provar

 

GQ: Então quando devemos esperar ouvir alguma música underground?

BB: No nosso último álbum que acabamos de gravar (A entrevista aconteceu antes do comeback de Eyes On You). Colocamos um toque underground no tipo da música e melodia. No entanto, ainda mantivemos as letras estruturadas, já que queremos que o público seja capaz de acessar e se conectar à nossa música. Quanto a música-título, não pudemos ir tão fundo quanto esperávamos que acontecesse para atingir o público, não importa a idade ou o gênero que eles possam ouvir. Por isso, nós fizemos algo mais moderno com um toque underground. Eu não tenho nenhum tipo específico de música que eu goste. Na verdade, gosto de muitos tipos diferentes de música, e a música-título é um dos tipos que gosto.

 

GQ: Qual é a tendência dos ouvintes de música na Coreia hoje em dia?

BB: Eu não sei explicar. É tipo EDM**, mas não tão rápido e nem tão lento, com um toque de hip-hop. Algumas músicas têm a batida house music***, então a dança inclui etapas. O estilo famoso ultimamente é latino misturado ao hip-hop. Eu acho que a música coreana tem hip-hop como base. Na Tailândia, a maioria das músicas não é hip-hop, são mais como bandas de rock. Se eu tiver uma chance na indústria da música (Tailandesa), eu gostaria de apresentar a música hip-hop que gosto para essas pessoas, porque eu acho que é única. Quero saber o feedback. Será que eu mudaria a tendência musical na Tailândia? O povo vai gostar disso? Mas ainda não tenho tempo para fazer isso (risos).

*O termo música underground tem sido aplicado a diversos movimentos artísticos, como um estilo alternativo de meados dos anos 1960, punk rock e hardcore, hip-hop, rock alternativo, indie e grunge.

**EDM (Electronic Dance Music) mescla de vertentes da música eletrônica, para ambientes centrados na dança e entretenimento, como clubes ou festas

***House music é gerada numa bateria eletrônica, um estilo eletrônico-pop

SOBRE O GOT7: O amado grupo de idols da JYPE, Coreia do Sul, que debutou em 2014. O grupo tem 7 membros com origens multinacionais, incluindo JB, Jinyoung, Youngjae e Yugyeom da Coréia do Sul, Mark Tuan dos EUA, Jackson Wang de Hong Kong e Bambam Kunpimook Bhuwakul da Tailândia.

A Playlist: O GOT7 já lançou muitas músicas! Se você quiser começar a conhecê-los, aqui estão algumas músicas que Bambam recomendou como as favoritas dele. E se você começar a ouvir qualquer uma delas, você vai se apaixonar pelo grupo.

To Me  – Remember You –  Shopping Mall – Prove It  – Sign

 

 

 

Fonte: All EYEs On BAM ‏
Tradução: Jacke

Revisão: Tamanduá
Não reproduzir sem os devidos créditos!

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