Entrevistas

Mark Tuan, do GOT7 fala sobre o que vem por ai musicalmente, volta para os EUA e como aumentar a conscientização sobre o ódio anti – asiáticos.

  • Tuan, que quer usar sua plataforma para encorajar outros a mudar o mundo para melhor, compartilha com o Post o que ele aprendeu sendo um ídolo do K-pop na Coréia.
  • A estrela inaugurou um estúdio pessoal na China, está trabalhando em um álbum e recentemente lançou uma música com o musico Bengalês – americano Sanjoy.
K-pop singer Mark Tuan, now back in the US, talks to the Post about his next steps after Got7, how he is raising awareness around anti-Asian American hate and why he’s still not used to the support of his fans. Photo: Represent

Mark Tuan às vezes se esquece que não é um cara normal de 27 anos morando no estado da Califórnia, nos Estados Unidos, e é surpreendido com coisas como seus fãs invadindo o Clubhouse ao inscrever-se.

Mas a verdade é que Tuan é um sétimo da popular boyband de K-pop Got7, e ele acabou de mudar-se de Seul, na Coreia do Sul, para ficar perto de sua família enquanto inicia uma nova etapa de sua carreira, usando sua plataforma para influenciar seus fãs a mudar o mundo de uma forma positiva.

“Isso volta pra mim o tempo todo”, reflete Tuan durante uma ligação sobre o fervor com que seus fãs o apoiam. “Ainda não estou acostumado, mesmo fazendo isso há sete anos. Você poderia pensar que eu iria me acostumar com isso, mas ainda me surpreende que os fãs continuam sendo loucos e me apoiem, e que tenhamos tanto poder. É muito legal.”

Juntar-se ao Clubhouse, uma plataforma de streaming de áudio, é apenas uma das muitas coisas que Tuan tem tentado ultimamente: ele e o resto de Got7 separaram-se de sua antiga gravadora, JYP Entertainment, este ano, após estrear com a empresa sul-coreana em 2014. O grupo planeja permanecer junto, mas cada membro está fazendo suas próprias coisas.

Tuan has just moved home to the US from Seoul in South Korea to be close to his family. Photo: GC Images
Tuan apenas mudou-se de Seoul na Coreia do Sul de volta aos EUA para ficar perto de sua família.
Foto: GC Imagens

Para Tuan, isso significa mudar-se de volta para os Estados Unidos – de onde ele saiu quando tinha 16 anos e sonhava com o estrelato – e descobrir quem ele é como solista; a estrela, que é descendente de taiwaneses, também inaugurou recentemente um estúdio pessoal na China para desenvolver sua carreira no entretenimento chinês.

“Acho que o maior objetivo para mim agora é ser capaz de encontrar o meu som. Não tenho um estilo, por isso tenho que sair e fazer a música com [mais] pessoas. ”

Tuan in New York in 2019. Photo: GC Images
Tuan em Nova Iork em 2019. Foto: GC Images

Ele está concentrando-se em crescer como vocalista, embora tenha começado como rapper no Got7. Ele espera que as pessoas gostem de suas músicas enquanto ele desenvolve seu estilo pessoal. “Eu acho que tudo soa muito sólido. Tenho gostado de ouvir minhas músicas, mas sei que ainda não são 100 por cento perfeitas. Ainda estou trabalhando nisso.”

Tuan está no estúdio de quatro a cinco dias por semana, e lançou One in a Million com o músico bengalês-americano Sanjoy em fevereiro. Nela, ele compartilhou pensamentos sobre sua vida e sua carreira. E haverá mais disso em seu próximo álbum, que ainda está em construção.

“[O álbum] será sobre minha jornada, minha carreira, tudo. Acho que vai ser muito legal que os fãs possam ver um lado mais pessoal de mim, porque acho que fui uma pessoa muito quieta.”

Para Tuan, expressar-se em voz alta é um trabalho em andamento. “Uma vez, os membros ficaram meio chateados comigo. ‘Como é que você pode nunca compartilhar sua história ou nos conta como se sente sobre qualquer coisa?’ Acho que ter os outros seis meninos lá tornou mais fácil que eu me abrisse.”

Tuan admite que voltar para casa foi seu maior conforto depois de estar tão distante, e principalmente quando parecia mais urgente estar com seus entes queridos.

“Eu estava muito preocupado com a minha família durante a Covid-19. Meus pais tomaram a vacina. E agora nos Estados Unidos, todos também estão sendo vacinados, então parece que está ficando muito mais seguro.”

Got7 in New York in 2019. The group plan to remain together, but each member is doing his own thing. Photo: Getty Images
Got7 em Nova Iork em 2019. O grupo planeja continuar junto, mas cada membro está fazendo suas proprias coisas por agora. Foto: Getty Images

A pandemia não é a única coisa que preocupa Tuan ao que diz respeito à saúde e segurança de sua família. A estrela está preocupada e chateada com o ódio e a violência crescentes dirigidos aos asiáticos-americanos.

“Estou muito assustado pelos meus pais. Vê-los ir em suas caminhadas diárias e coisas assim… é realmente assustador. Eu ouço histórias sobre meus amigos, eles têm pessoas que eles conhecem que quase foram atacadas e eu tenho amigos que ouvem comentários raciais.”

Tuan quer usar sua plataforma para aumentar a conscientização sobre o que está acontecendo e como promover justiça e mudança social. Ele recentemente doou US$30.000 (equivalente a pouco mais de 100 mil reais) para a Stop AAPI Hate, uma organização sem fins lucrativos que dirige o Stop AAPI Hate Reporting Center que rastreia incidentes de discriminação contra ásio-americanos e descendentes das Ilhas do Pacífico (Havaí, Polinésia, Micronésia, entre outros). Ele também doou para apoiar o Black Lives Matters no passado.

Tuan admits he’s looking forward to living life as a 20-something and working hard to develop his career. Photo: Represent
Tuan admite que está ansioso para viver sua vida aos 20 e poucos anos e trabalhar duro para desenvolver sua carreira. Foto Represent

“No momento, há muito ódio e atos violentos contra os ásio-americanos. Um pouco antes disso, era o Black Lives Matter… Eu sinto que agora é muito difícil ver tanto ódio e racismo contra todos. Realmente não importa qual raça você é, existe tanto ódio por aí. Eu realmente não gosto de ver isso.”

“Ter pessoas ouvindo sobre minhas doações e proporcionar uma conscientização sobre esses assuntos, eu acho que pode ao menos contribuir e ajudar. Mesmo que seja apenas um pouco, eu acho que esse é o maior objetivo agora.”

Embora as coisas estejam difíceis agora, ele admite que está ansioso para viver a vida aos 20 e poucos anos e trabalhar duro para desenvolver sua carreira com o apoio da família e amigos, muitos dos quais trabalham com ele.

“Não acho ruim estar [fisicamente] de volta ao ponto de onde comecei quando fui para a Coreia. Eu acho que é muito legal o fato de que aprendi coisas novas. Estando lá, cresci muito e amadureci muito. A maior coisa que aprendi é não me estressar muito com o resultado das coisas. Porque se eu me estressar, fico de mau-humor. ”

Playing with his dog and golfing are two ways Tuan unwinds from work. Photo: Represent
Brincando com seu cachorro e jogar golf são as duas coisas que Tuan faz além de seu trabalho.
Foto: Represent

Ele pausa a conversa por um momento para brincar com seu cachorro, que guincha alto um brinquedo, e ri quando seu representante de relações-públicas – um de seus amigos – diz durante a ligação: “Mark é um estudante da vida.” Brincar com seu cachorro e jogar golfe são duas maneiras pelas quais ele relaxa depois de se estressar com o trabalho e seus objetivos ao iniciar esse novo caminho.

“Estar na Coreia e começar minha carreira bem cedo me fez ter essa mentalidade de continuar trabalhando mais duro, não importa o que aconteça. Quer eu alcance minhas expectativas ou não, eu sinto que isso não me afeta tanto porque sei que tentei o meu melhor e não me arrependo do resultado. ”

“Essa é a maior coisa que aprendi. Se eu quiser fazer algo, tenho que dar tudo de mim e não ter arrependimentos no final.”

GOT7 – Encore

Fonte: South China Morning Post
Tradução: Nicoly e Cellow
Revisão:  Nicoly e Cellow
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